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ἭSolana· The Forge
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Capítulos
  1. 1PRÓLOGO: A INSATISFAÇÃO DO FERREIROOrigens · 2017
  2. 2CANTO I: A FILOSOFIA DO FOGO2017
  3. 3CANTO II: O PRIMEIRO DESAFIO2018-2019
  4. 4CANTO III: A FORJA DE SOLANA2020
  5. 5CANTO IV: O OLHAR DE SVARTALFHEIM2020
  6. 6CANTO V: O ORGULHO DO FERREIRO2020-2021
  7. 7CANTO VI: OS RISCOS DO FOGO2021-2022
  8. 8CANTO VII: A QUEDA NO ABISMO2022
  9. 9CANTO VIII: A FÊNIX NA FORJA2023–2024
  10. 10CANTO IX: ATENA INTERVÉMRetrospectiva · 2023
  11. 11CANTO X: O TELEFONE DOS DEUSES2023-2024
  12. 12CANTO XI: O NOVO EQUILÍBRIO2023-2024
  13. 13CANTO XII: HEFESTO E OS ANÕES2023-2024
  14. 14CANTO XIII: O FOGO QUE NÃO APAGA2024
  15. 15EPÍLOGO: O SEGUNDO FOGO DO MUNDOReflexão · 2024
Ἥ
The Forge
A Forja Divina
15 capítulos
Capítulo 2 de 15≈ 2 min de leitura
Ἥ
2017

CANTO I: A FILOSOFIA DO FOGO

Anatoly apresenta a Hefesto uma visão revolucionária sobre consenso distribuído e velocidade.

Numa época em que o conhecimento ainda fluía em código e as mentes mortais começavam a compreender a natureza do consenso distribuído, um engenheiro chamado Anatoly Yakovenko subiu ao monte onde Hefesto trabalhava. Não era qualquer mortal, era alguém que havia passado anos na Qualcomm, a empresa que havia inventado muito da tecnologia de comunicação móvel que conectava o mundo. Ele havia pensado profundamente sobre como sistemas distribuídos coordenam ação sem um relógio central, e chegara a uma conclusão que poucos haviam alcançado antes dele.

Hefesto levantou sua cabeça das chamas. Seus olhos brilharam como fornos abertos. Fale mais, disse o ferreiro. O que você vê que os outros não veem? Anatoly respondeu sem hesitar: vejo que o maior problema de blockchain não é o consenso em si, é o tempo gasto negociando sobre o tempo. Cada validador numa rede descentralizada tem seu próprio relógio, sua própria percepção de quando eventos ocorreram. Coordenar essa percepção desperdiça a maior parte da capacidade de processamento da rede. E se houvesse uma forma de criar um relógio criptográfico universal, uma fonte de tempo em que todos os validadores pudessem confiar sem precisar comunicar-se entre si?

Anatoly adiantou-se, sua voz ganhando corpo e segurança: vejo que o tempo não é um luxo. O tempo é um bem, uma moeda, uma arma. Vejo que a maioria das blockchains desperdiça a maior parte de sua capacidade computacional não em processar transações, mas em chegar a acordo sobre a ordem das transações. Se você resolve o problema da ordem, se você cria uma prova criptográfica de que determinado evento ocorreu antes de outro, você libera uma capacidade enorme para fazer o que as blockchains realmente deveriam fazer: processar.

E assim, Hefesto escutou na filosofia de Anatoly o eco de seus próprios anseios reprimidos. Sim, disse o deus, sim, mil vezes sim. O problema não é a velocidade do processamento, é o overhead do consenso. Elimine o overhead. Reduza o problema de concordância de tempo a uma função criptográfica que cada nó pode verificar independentemente. E então, com esse problema resolvido, veja quão rápido uma rede pode ser quando toda a sua energia vai para o trabalho real.

Hefesto pegou o whitepaper que Anatoly havia escrito, publicado em novembro de 2017, descrevendo o conceito de Proof of History, e o leu com a intensidade de alguém reconhecendo num texto escrito por outro a ideia que havia passado anos tentando articular. Esta é a filosofia do fogo, disse Hefesto. Não o fogo que queima devagar e completamente, como nos fornos de Svartalfheim. O fogo que queima rápido e verdadeiro, o fogo que ilumina antes de aquecer, que responde antes que a pergunta termine de ser formulada.

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O tempo não é um luxo. O tempo é um bem, uma moeda, uma arma.
Anatoly Yakovenko
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