CANTO IV: O OLHAR DE SVARTALFHEIM
Os anões de Svartalfheim observam o nascimento de Solana com ceticismo e compreensão.
Nos fornos glaciais do norte, onde Svartalfheim reinava em perfeição matemática milenar, os anões detectaram o nascimento de Solana como se detectariam uma vibração estranha nos próprios fundamentos da terra. Durin, o mais velho dos mestres ferreiros, olhou para as métricas de Solana com a expressão de alguém que encontra um artefato tecnicamente interessante mas filosoficamente perturbador. Rápido, admitiu ele, em voz baixa. Mais rápido do que deveríamos ser possível sem comprometer a segurança.
Exatamente! disse Durin, com irritação. É diferente, e o diferente nos ameaça, porque os mortais (ah, os mortais!) vão adorar isso. Vão adorar a velocidade sem compreender o que foi sacrificado para obtê-la. Vão usar Solana para coisas que deveriam usar Svartalfheim, e então quando Solana falhar, porque toda forja que queima rápido demais eventualmente falha, eles vão culpar toda a blockchain. Não apenas a de Hefesto. Todas. Incluindo a nossa.
A frase ressoou nas cavernas geladas como uma lâmina. Porque a verdade era complexa: Svartalfheim havia criado algo perfeito, mas poucos o usavam, a curva de aprendizado era íngreme, as ferramentas eram complexas, e o tempo de prova não era amigável a aplicações que exigiam resposta imediata. Solana havia criado algo imperfeito, mas muitos o usariam, porque era rápido, barato, e seus contratos inteligentes eram escritos em Rust, uma linguagem que o mundo dos desenvolvedores já conhecia.
Os anões debateram por horas. Alguns desejavam acelerar suas ferramentas; outros preferiam observar. Então ouviram Mímir, o sábio guardião da fonte do conhecimento, convidado a aconselhar a assembleia. Sua voz não vinha de uma oficina, mas da experiência de quem sabia escutar antes de julgar.
Deixe-o tentar, disse Mimir finalmente, depois de longo silêncio. Se Hefesto falhar, teremos o privilégio de dizer que o avisamos. Se ele suceder, teremos o privilégio de aprender. E em qualquer dos casos, o universo criptográfico terá descoberto mais sobre si mesmo do que descobriria se apenas Svartalfheim existisse. A competição entre abordagens diferentes não é fraqueza do ecossistema, é sua força. O medo de Hefesto não deve ser nossa paralisia.
Se ele suceder, teremos o privilégio de aprender.