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Capítulos
  1. 1PRÓLOGO: NEM CÉU NEM SUBMUNDORetrospectiva · 2018–2024
  2. 2CANTO I: O MUNDO SE TORNA HOSTILOrigens · 2013–2018
  3. 3CANTO II: A REDE QUE FALARetrospectiva · 2013–2020
  4. 4CANTO III: OS IRMÃOS QUE DESAFIARAM IMPÉRIOSRetrospectiva · 2013–2014
  5. 5CANTO IV: TON NASCE NAS FRONTEIRAS2018
  6. 6CANTO V: A IRA DE PERUN2019-2020
  7. 7CANTO VI: A MORTE QUE NÃO MATOU2020-2021
  8. 8CANTO VII: O DEUS DOS COMERCIANTES2022–2024
  9. 9CANTO VIII: ENTRE WEB2 E WEB32023-2024
  10. 10CANTO IX: O RIVAL DE PERUN2018-2024
  11. 11CANTO X: O PROTETOR DOS MARGINALIZADOSReflexão · 2024
  12. 12CANTO XI: A CAPTURA DO DEUS2024
  13. 13CANTO XII: O COMÉRCIO COMO PODERReflexão · 2024
  14. 14CANTO XIII: O DEUS QUE ESCAPAReflexão · 2024
  15. 15EPÍLOGO: O MUNDO ENTRELAÇADOReflexão · 2024
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Navi
O Mundo Subterrâneo
15 capítulos
Capítulo 5 de 15≈ 2 min de leitura
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2018

CANTO IV: TON NASCE NAS FRONTEIRAS

Em 2018, Telegram apresenta Telegram Open Network e o projeto do token Gram

Em 2018, os irmãos Durov apresentaram Telegram Open Network, o nome original de TON, e o projeto do token Gram. A intenção era conectar uma blockchain à audiência do mensageiro. The Open Network seria o nome adotado na continuidade comunitária posterior, após a saída de Telegram do projeto.

O ICO, aquela venda inicial que financiaria tudo, arrecadou 1,7 bilhões de dólares de menos de duzentos investidores institucionais, tornando-se a maior venda privada de tokens da história até aquele momento. Não era capital de venture capitalists buscando retorno de dez vezes, era capital de entidades que compreendiam que controlar participação numa plataforma com duzentos milhões de usuários, e crescendo exponencialmente, era uma posição estratégica sem precedente. A moeda se chamaria GRAM. O ecossistema se chamaria TON.

O sharding estava no centro da proposta: dividir trabalho entre cadeias para ampliar a capacidade conforme a demanda. As metas de milhões de transações por segundo eram projeções de arquitetura, não tráfego observado em produção em 2018. Bitcoin também não processava milhares de transações por segundo em sua camada base. Veles imaginava uma estrada cuja capacidade ainda precisaria ser demonstrada.

TON seria o contrário de Ethereum: onde Ethereum priorizava a descentralização máxima e deixava a usabilidade como problema do usuário, TON priorizava a experiência do usuário e deixava a descentralização suficiente como garantia. Não seria perfeita em nenhum eixo de pureza técnica. Mas seria acessível a bilhões de pessoas que nunca configuraram uma carteira MetaMask, nunca pagaram gas fees, nunca precisaram entender o que é um seed phrase para acessar seus fundos.

Mas há uma razão pela qual Veles caminha nas sombras. Porque quando você constrói um reino nas sombras, você convida também os caçadores de sombras. E o maior caçador de sombras do mundo financeiro moderno, aquele cujo martelo transforma sonhos em processos judiciais, estava prestando atenção. Os irmãos Durov haviam construído algo demasiado grande, demasiado poderoso, demasiado acessível para que Perun americano pudesse ignorar.

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TON será a blockchain mais rápida do mundo. Não como promessa, como fato de engenharia.
Nikolai Durov
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