Canto VII: O Império da Presença
USDT chega a TRON em 2019 e amplia os caminhos das stablecoins
Se em 2017 TRON havia sido o relâmpago e em 2018 havia sido a aquisição, em 2019 e 2020 tornou-se algo ainda mais devastador: onipresença silenciosa. Não o tipo de presença que faz manchetes, mas o tipo que aparece em cada transação de stablecoin no sudeste asiático, em cada transferência informal de trabalhadores enviando remessas para casa, em cada exchange que precisava de uma rede barata e rápida para processar saques de USDT sem tornar as taxas proibitivas para valores pequenos.
Tether lançou USDT em TRON em 2019, mantendo também emissões em outras redes. Os custos e os recursos disponíveis influenciavam a escolha dos usuários. Em períodos de congestionamento de Ethereum, TRON oferecia uma alternativa de transferência. Zeus encontrava espaço no comércio cotidiano, embora as taxas variassem com o uso e com as regras da rede.
Em 2020, o uso de USDT em TRON crescia. Contar transferências, somar seu valor e medir tokens emitidos eram trabalhos distintos; cada um revelava uma face da circulação. Zeus observava esses sinais sem confundir uma liderança em determinada medida com o domínio de todas as outras.
E aqui estava o segredo que ninguém havia realmente compreendido: TRON não era descentralizado como Bitcoin. TRON não era inovador como Ethereum. Mas TRON era útil como nenhuma outra para a principal atividade que os usuários comuns executavam em blockchain, mover stablecoins entre endereços, exchanges e wallets sem pagar taxas que devorassem o valor transferido. Zeus não havia conquistado o Olimpo. Havia conquistado o mercado.
Cada transferência era uma confirmação do poder de Zeus. Cada segundo sem falha era uma vitória silenciosa contra os que previam o colapso. E enquanto Ethereum se preparava para sua longa transição para Proof of Stake e os desenvolvedores debatiam Layer 2s e rollups, TRON processava. Sem parar. Sem alarde. Com a dignidade monótona de uma infraestrutura que se tornou essencial precisamente porque ninguém a vê.
Cada transferência era uma confirmação do poder de Zeus. Cada segundo sem falha era uma vitória.