Canto VIII: Os Que Permaneceram
Uma minoria de desenvolvedores, mineiros e filósofos escolhe permanecer com Ethereum Classic por princípio, não lucro.
Eles não eram heróis. Não usavam armaduras brilhantes. Não fizeram discursos inflamados. Muitos deles nem sabiam bem o que estavam defendendo. Mas Borr sabia. Pois havia escolhido cada um deles.
Não pela força. Não pela inteligência. Não pela fama. Mas por uma qualidade que o mais antigo dos deuses reconhecia acima de todas as outras: eles não quebrariam a palavra quando ficasse difícil. Eram da mesma estirpe dos guerreiros de sua era primordial. Aqueles que preferiam a derrota honrosa à vitória comprada com traição.
Havia mineiros que poderiam ter seguido Ethereum, seria mais lucrativo. Havia desenvolvedores que poderiam ter abandonado, seria mais conveniente. Havia investidores que poderiam ter vendido seus ETC por ETH e nunca olhado para trás. Mas alguns não fizeram. E nesses poucos, Borr havia depositado sua centelha ancestral, a mesma centelha que havia depositado nos corações dos guerreiros que honravam juramentos em sua era mais antiga.
Entre eles estava Barry Silbert, que acreditava que havia duas verdades correndo em paralelo. Havia Charles Hoskinson, que veria em ETC um laboratório para ideias que ETH rejeitava. Havia desenvolvedores anônimos que simplesmente não conseguiam abandonar o que havia sido prometido.
Ethereum Classic tornou-se o refúgio dos que carregavam o código antigo. Não os puros de espírito, muitos queriam lucrar. Mas os puros de princípio. Aqueles que acreditavam que quando você diz 'o código é lei', deve estar preparado para cumprir essa lei mesmo quando a lei te destrói. Borr reconhecia esses mortais. Eram seus filhos espirituais. Os últimos guardiões de uma era que o mundo havia decidido superar.
Aqueles que acreditavam que quando você diz código é lei, deve estar preparado para cumprir com essa lei mesmo quando a lei produz resultados que você detesta.