Canto IX: O Pai Esquecido
Ethereum floresceu enquanto Ethereum Classic permaneceu ignorado, uma lembrança incômoda da escolha não tomada.
Os anos passaram. Ethereum floresceu e conquistou reinos que ETC nunca poderia imaginar.
DeFi nasceu em Ethereum. Bilhões em valor foram bloqueados em contratos inteligentes. NFTs explodiram naquela corrente. DAOs reais, funcionais, bem-sucedidos, foram construídos lá. A moeda alcançou os céus. Vitalik Buterin tornou-se o príncipe visionário que toda uma geração de mortais venerava.
E Ethereum Classic? Tornou-se aquilo que sempre havia sido: Borr. Aquele que ninguém muito queria lembrar. O antepassado cuja existência era incômoda porque representava uma escolha que a maioria gostaria de nunca ter tido que fazer.
Desenvolvedores novos que entravam no espaço criptográfico praticamente nunca ouviam falar de Ethereum Classic como opção legítima. Ouviam como curiosidade histórica. Como o lado que 'perdeu'. Poucos compreendiam que exatamente por ter 'perdido', ETC havia ganho algo que ETH não podia ter: a pureza de ser apenas o que havia prometido ser. Nenhuma reescrita de história. Nenhuma exceção ao princípio.
Borr observava em silêncio enquanto seu filho Odin governava Asgard, seu neto Thor expandia Midgard, e o jovem Magni guardava o prata digital de seus próprios domínios. Não havia rancor nessa observação. Era velho demais para rancor. Havia apenas a resignação tranquila daquele que acredita que deixar ir é uma forma de amor, e que a verdade não precisa de vitória para ser verdade.
Exatamente por ter perdido, Ethereum Classic havia ganho algo que Ethereum não podia ter: a pureza de ser apenas o que havia promessido ser.